terça-feira, 22 de abril de 2014

DENTES CRIADOS A PARTIR DA URINA HUMANA, SERÁ??

Cientistas chineses criaram dentes rudimentares a partir de algo que poderia ser considerado improvável: a urina humana


Dente recriado na China é rudimentar e
menos rígido que o dente humano natural
O resultado do estudo, apresentado pela publicação científica Cell Regeneration Journal, mostrou que a urina pode ser utilizada como fonte de células-tronco que seriam capazes de se transformar em pequenas estruturas parecidas com os dentes humanos.
O time de cientistas da China espera que a técnica possa ser desenvolvida para possibilitar a reposição de dentes perdidos.
No entanto, outros pesquisadores de células-tronco ponderam que para atingir esse objetivo muitos obstáculos ainda precisam ser vencidos.
Times de pesquisadores em todo o mundo estão estudando maneiras criar novos dentes para repor aqueles perdidos pela idade ou por má higiene bucal.
UrinaAs células-tronco, que são as células capazes de se transformar em qualquer outro tipo de tecido, são assunto popular de pesquisas.
Os pesquisadores do Guangzhou Institutes of Biomedicine and Health, na China, utilizaram a urina como ponto de partida para seus experimentos.
Células que normalmente são expelidas pelo corpo, através do sistema urinário, foram alteradas em para que se tornassem células-tronco.
Uma mistura dessas células com outros materiais orgânicos retirados de ratos foi então implantada nos próprios roedores.
Os cientistas chineses afirmaram que depois de três semanas o grupo de células começou a se parecer com um dente: "a estrutura parecida com o dente continha polpa dental, dentina, espaço de esmalte (área vazia do dente que possivelmente poderia ser ocupada pelo esmalte) e órgão de esmalte (estrutura que precede o surgimento do esmalte no dente)".
Entretanto, o dente criado pelos chineses não era tão rígido quanto um dente natural.
Mas ainda que o resultado do estudo chinês não venha a ser utilizado pelos dentistas como uma opção viável, seus pesquisadores defendem que pode nortear pesquisas mais aprofundadas para se chegar ao "sonho final de total regeneração do dente humano para terapia clínica".
Fonte inadequada - Para o professor Chris Mason, da University College of London (UCL), a urina utilizada pelos chineses foi um ponto de partida inadequado.
"Esta (a urina) é provavelmente uma das piores fontes, pois existem muito poucas células desde o início (do processo) e a eficiência de transformá-las em células-tronco é muito baixa", rebate Mason.
"Você simplesmente não faria (a pesquisa) dessa forma", reforça o pesquisador da UCL.
O cientista também alertou sobre os riscos de contaminação, como aquela causada por bactérias, que seriam bem maiores se comparados ao uso de outros tipos de células.
"O grande desafio aqui é que o dente tenha polpa com nervos e vasos sanguíneos que temos que ter certeza que se integrariam para se transformarem num dente permanente".

Referência: James Gallagher, Repórter de Ciência e Saúde da BBC News
Atualizado 30.07.13
 
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quinta-feira, 13 de março de 2014

A INCRÍVEL HISTÓRIA DOS MURSI


                         
A arte tribal do amor: as tensões que os lábios suportam
A fantasia sempre foi o elemento dominante na África. Podemos encontrá-la em suas paisagens naturais, que mudam continuamente diante dos olhos de quem percorre este vastíssimo continente.
Especialmente nos animais, quase inacreditáveis pela variedade de gêneros e espécies. Mas, sobretudo, encontramos a realidade da fantasia entre seus habitantes, ainda hoje divididos em uma infinidade de tribos, cada uma conservando, de maneira autônoma, sua própria característica, mantendo inalterados no tempo, seus usos e costumes.
O culto do próprio corpo, o amor pelos penteados e vestimentas originais, o gosto de enfeitar-se com objetos de todos os gêneros, há muito pertencem ao costume do povo africano, que possui extraordinário sentido de beleza e de expressividade.
O enigmático povo Mursi, um grupo étnico ainda muito primitivo, composto de 4 a 5 mil indivíduos, vive no sudoeste da Etiópia, região do rio Omo, habitada por uma notável quantidade de etnias que, não obstante a proximidade entre elas, conserva inalteradas as singulares características tribais.
Os Mursi dedicam-se ao pastoreio e à agricultura. Para se chegar a essa região, a principal via de acesso é esta: a travessia do rio Omo, o mesmo que presumivelmente foi testemunha de nossa origem. O homem moderno pertence ao gênero homo, que é um subgrupo da família dos hominídeos. A espécie que evoluiu para homo é provavelmente o gênero Australopithecus Afarensis, cujo exemplo mais famoso é “Lucy”, esqueleto de 3,2 milhões de anos, encontrado três décadas atrás e que reabriu uma série de novas interrogações sobre a evolução da espécie humana.
Dos estudos desse esqueleto, que se encontra atualmente no Museu Nacional de Addis Abeba, pode-se estabelecer que se trata de uma pessoa do sexo feminino e que presumivelmente teve morte provocada por mordida de crocodilo. De fato, o rio Omo conta com presença de grande número de tais répteis.
As mulheres Mursi são altas, exibindo perfeitas proporções corporais. Costume tribal, elas se submetem a uma prática extremamente dolorosa que é a perfuração do lábio inferior onde ostentam impressionantes pratos. Mas que motivo instiga ou leva essas mulheres a suportarem semelhante suplício?
As explicações são contrastantes e de certa forma confusas. A mais provável parece estar ligada à sua beleza. No entanto, parece realmente que em idos tempos a mulher Mursi era a preferida dos mercadores de escravos. Para encontrar um modo de salvar suas mulheres, os Mursi impuseram a perfuração do lábio, uma vez que assim deformadas perderiam o valor. Com o passar do tempo, os homens da tribo não só se habituaram com a deformação da companheira, como passaram a admirar o seu novo visual, a tal ponto de considerar o procedimento um indispensável fascínio feminino.
Pode estar aí explicado o motivo pelo qual nenhuma mulher Mursi se opõe, ainda hoje, a tal prática.
Perfuração do lábio
A operação é efetuada no inicio da puberdade, geralmente em torno dos 9 a 10 anos de idade. O lábio inferior é furado com uma ponta metálica e nele é colocado um cilindro de madeira para impedir o fechamento do músculo durante o processo de cicatrização, que demora de 6 a 8 semanas. No curso dos meses seguintes, procura-se alargar, cada vez mais, o buraco, substituindo-se progressivamente o primeiro cilindro de madeira por outro de diâmetro maior, de tal forma que o lábio distende e estica para que se possa introduzir neste espaço o prato labial feito de argila que, depois de muitos anos, pode atingir 20 a 22 mm de diâmetro.
O outro aspecto devastador desta prática é a remoção dos dentes incisivos inferiores. A extração desses dentes é necessária por dois motivos: para favorecer o encaixe do prato, já que o espaço útil é aumentado no interior da cavidade bucal e, sobretudo, para evitar o contato dos dentes de cima com o corpo estranho -o prato- que além de ser desconfortável ainda provoca dor.
O resultado dessa agressão é que a ausência dos incisivos provoca nas mulheres graves problemas na fala, com relativa distorção da linguagem. Naturalmente fica comprometida também a função mastigatória, complicando de modo notável e dramático a execução das mais elementares atividades fisiológicas, como a função de comer e beber, ou seja, o ato de mastigar, deglutir e, finalmente, nutrir-se.
Prestígio e consideração dos pratos mais volumosos
Não obstante o surgimento destes graves problemas, as Mursi são extremamente orgulhosas dos seus pratos e se comparam numa silenciosa competição em ostentar os discos mais volumosos. É natural que, com o aumento do diâmetro do disco, diminui a possibilidade do cordão labial suportar o peso do prato que passa da posição horizontal para a vertical, balançando para baixo.
Mas até este inconveniente é o preço que se paga para se conquistar um posto elevado na hierarquia tribal, adquirindo-se prestígio e consideração entre os seus pares. Os homens Mursi, além disso, são irresistivelmente atraídos pela desmesurada dimensão de um lábio perfurado e por esse motivo as mulheres praticam todo o tipo de exercício possível para aumentar sua circunferência e atrair assim a atenção masculina.
Exceto as mulheres idosas, dificilmente se surpreende uma Mursi sem o prato labial, pois é considerado um gesto descortês e mal-educado apresentar-se em público com os “lábios vazios”, sobretudo diante de estranhos.
Assim, é surpreendente constatar dois fatos distintos: a capacidade de elasticidade e adaptação do músculo labial e a impressionante realidade que, em pleno século XXI, ainda existe, tomando a forma de hábitos e costumes primitivos.
De fato, na África, ainda persistem grãozinhos de fantasia.

Referências
Profª. Drª. Maria Cristina Ferreira de Camargo – Odontopediatra;
Drª. Adriana Ferreira de Camargo Miori – Odontopediatra;
Dr. Roberto Mariani - Cirurgião Bucomaxilofacial .
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Células-Tronco

Pesquisadores criam dente biológico
em mandíbula com uso de células-tronco
Depois de construírem coroas dentais na cavidade abdominal de ratos, em 2004, pesquisadores da Unifesp, da Tufts University e do Massachusetts General Hospital (USA) venceram mais uma etapa da pesquisa que revela ser possível desenvolver implantes naturais em mandíbulas de ratos.
No estudo atual, que foi a última etapa considerada experimental com células de animais, formaram-se tecidos dentários como dentina, esmalte e polpa, além dos responsáveis pelas estruturas de sustentação do dente, conhecido como ligamento periodontal. Os resultados permitem que uma nova fase da pesquisa de regeneração dentária se inicie, com a utilização de células-tronco adultas humanas.
De acordo com os pesquisadores da Unifesp, Silvio Duailibi, que é professor afiliado e orientador da disciplina de Cirurgia Plástica, e Mônica Duailibi, professora pesquisadora e co-orientadora da mesma disciplina, essa é a primeira prova científica de que a mandíbula possui irrigação sanguínea suficiente para nutrir as células-tronco implantadas e, assim, formar o dente biológico. “Em todos os outros estudos foram utilizados o omentun, membrana extremamente irrigada de vasos sanguíneos e que reveste todas as vísceras de mamíferos”, explica Mônica. “O próximo passo será utilizar células-tronco humanas em animais sem imunidade e estudar como desenvolver a forma e a posição correta para que se obtenha uma erupção tal qual o dente natural”.
Para Lydia Masako Ferreira, chefe do Departamento de Cirurgia e coordenadora do Programa de Pós-graduação da disciplina de Cirurgia Plástica da Unifesp, esse é um projeto de integração internacional de extrema importância para a área da saúde. “Esta parceria mostra a credibilidade do projeto e dos pesquisadores brasileiros envolvidos”, afirma.
Metodologia
Para a construção dos tecidos dentários no rato por meio da técnica de Engenharia Tecidual, os cientistas utilizaram métodos similares empregados previamente. Em ambos os ensaios experimentais, os pesquisadores “semearam” células obtidas de dentes imaturos de animais sobre um arcabouço de polímero biodegradável. Os arcabouços, que anteriormente haviam sido implantados no abdômen dos ratos hospedeiros, foram, agora, implantados na mandíbula.
Em ambas as abordagens experimentais, os cientistas utilizaram células-tronco dentárias “adultas” que permitiram somente o aumento do tecido dentário. Eles não utilizaram células-tronco embrionárias.
O objetivo dos cientistas é desenvolver métodos para a regeneração parcial ou total do dente humano pelo crescimento na mandíbula de um novo dente proveniente de suas próprias células.
Atualmente, os cientistas já verificam a possibilidade do crescimento de um novo dente na mandíbula com tecido dentário humano e os dados parciais desse estudo foram apresentados na reunião da Associação Internacional de Pesquisadores em Odontologia (IADR), em Toronto, Canadá, que aconteceu entre os dias 2 e 5 de julho.
Além dos pesquisadores Monica e Silvio Duailibi, os membros desta equipe incluem Pámela Yelick, professora do Departamento de Patologia Maxilofacial da Escola de Medicina Dental da Tufts University, e Joseph P. Vacanti, diretor de Transplantes Pediátricos e do Laboratório de Engenharia Tecidual e Fabricação de Órgãos do Massachusetts General Hospital, em Boston, EUA.
As pesquisas receberam financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto Nacional de Saúde (NIH), dos EUA.

Referências

Prof. Dr. Silvio Duailibi - Unifesp , pesquisador e orientador da disciplina de Cirurgia Plástica;
Profª. Drª. Mônica Duailibi - Unifesp, pesquisadora e co-orientadora da disciplina de Cirurgia Plástica;
Profª. Drª. Pámela Yelick - Departamento de Patologia Maxilofacial da Escola de Medicina Dental da Tufts University, e Joseph P. Vacanti, diretor de Transplantes Pediátricos e do Laboratório de Engenharia Tecidual e Fabricação de Órgãos do Massachusetts General Hospital, em Boston, EUA.


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sábado, 6 de julho de 2013

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Antibiótico natural retarda crescimento de tumor
Uma substância sintetizada a partir de um tipo de "antibiótico natural" produzido por abelhas brasileiras está obtendo resultados promissores na luta contra o câncer.
Os primeiros experimentos com camundongos mostram uma redução de até 70% na taxa de crescimento de tumores.
"Ainda não dá para dizer que temos uma droga contra o câncer", adverte José Quincoces, pesquisador da Uniban que sintetizou duas versões da substância feita a partir da própolis, HB1 e HB2.
Para fazer os testes com animais, foi estabelecida uma parceria com a Unifesp. "De tudo que já testei in vivo, nada teve resultados tão fortes", diz Miriam Galvonas, coordenadora dos experimentos.
O teste foi conduzido com três grupos de cinco camundongos. Todos eles receberam uma injeção de células tumorais de melanoma. Nos tratados com HB1, houve uma inibição no crescimento do tumor de até 40%. Com a HB2, o resultado chegou a 70%.
A melhor notícia é que quase nenhum efeito tóxico foi observado. No caso da HB1, dois camundongos sofreram uma pequena inflamação. Com a HB2, nenhum deles sofreu danos. Muitos testes ainda precisem ser realizados.
A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) decidiu bancar o pedido de patente internacional para proteger o achado.

Fonte: Folha de São Paulo/ por Salvador Nogueira.