quinta-feira, 13 de março de 2014

A INCRÍVEL HISTÓRIA DOS MURSI


                         
A arte tribal do amor: as tensões que os lábios suportam
A fantasia sempre foi o elemento dominante na África. Podemos encontrá-la em suas paisagens naturais, que mudam continuamente diante dos olhos de quem percorre este vastíssimo continente.
Especialmente nos animais, quase inacreditáveis pela variedade de gêneros e espécies. Mas, sobretudo, encontramos a realidade da fantasia entre seus habitantes, ainda hoje divididos em uma infinidade de tribos, cada uma conservando, de maneira autônoma, sua própria característica, mantendo inalterados no tempo, seus usos e costumes.
O culto do próprio corpo, o amor pelos penteados e vestimentas originais, o gosto de enfeitar-se com objetos de todos os gêneros, há muito pertencem ao costume do povo africano, que possui extraordinário sentido de beleza e de expressividade.
O enigmático povo Mursi, um grupo étnico ainda muito primitivo, composto de 4 a 5 mil indivíduos, vive no sudoeste da Etiópia, região do rio Omo, habitada por uma notável quantidade de etnias que, não obstante a proximidade entre elas, conserva inalteradas as singulares características tribais.
Os Mursi dedicam-se ao pastoreio e à agricultura. Para se chegar a essa região, a principal via de acesso é esta: a travessia do rio Omo, o mesmo que presumivelmente foi testemunha de nossa origem. O homem moderno pertence ao gênero homo, que é um subgrupo da família dos hominídeos. A espécie que evoluiu para homo é provavelmente o gênero Australopithecus Afarensis, cujo exemplo mais famoso é “Lucy”, esqueleto de 3,2 milhões de anos, encontrado três décadas atrás e que reabriu uma série de novas interrogações sobre a evolução da espécie humana.
Dos estudos desse esqueleto, que se encontra atualmente no Museu Nacional de Addis Abeba, pode-se estabelecer que se trata de uma pessoa do sexo feminino e que presumivelmente teve morte provocada por mordida de crocodilo. De fato, o rio Omo conta com presença de grande número de tais répteis.
As mulheres Mursi são altas, exibindo perfeitas proporções corporais. Costume tribal, elas se submetem a uma prática extremamente dolorosa que é a perfuração do lábio inferior onde ostentam impressionantes pratos. Mas que motivo instiga ou leva essas mulheres a suportarem semelhante suplício?
As explicações são contrastantes e de certa forma confusas. A mais provável parece estar ligada à sua beleza. No entanto, parece realmente que em idos tempos a mulher Mursi era a preferida dos mercadores de escravos. Para encontrar um modo de salvar suas mulheres, os Mursi impuseram a perfuração do lábio, uma vez que assim deformadas perderiam o valor. Com o passar do tempo, os homens da tribo não só se habituaram com a deformação da companheira, como passaram a admirar o seu novo visual, a tal ponto de considerar o procedimento um indispensável fascínio feminino.
Pode estar aí explicado o motivo pelo qual nenhuma mulher Mursi se opõe, ainda hoje, a tal prática.
Perfuração do lábio
A operação é efetuada no inicio da puberdade, geralmente em torno dos 9 a 10 anos de idade. O lábio inferior é furado com uma ponta metálica e nele é colocado um cilindro de madeira para impedir o fechamento do músculo durante o processo de cicatrização, que demora de 6 a 8 semanas. No curso dos meses seguintes, procura-se alargar, cada vez mais, o buraco, substituindo-se progressivamente o primeiro cilindro de madeira por outro de diâmetro maior, de tal forma que o lábio distende e estica para que se possa introduzir neste espaço o prato labial feito de argila que, depois de muitos anos, pode atingir 20 a 22 mm de diâmetro.
O outro aspecto devastador desta prática é a remoção dos dentes incisivos inferiores. A extração desses dentes é necessária por dois motivos: para favorecer o encaixe do prato, já que o espaço útil é aumentado no interior da cavidade bucal e, sobretudo, para evitar o contato dos dentes de cima com o corpo estranho -o prato- que além de ser desconfortável ainda provoca dor.
O resultado dessa agressão é que a ausência dos incisivos provoca nas mulheres graves problemas na fala, com relativa distorção da linguagem. Naturalmente fica comprometida também a função mastigatória, complicando de modo notável e dramático a execução das mais elementares atividades fisiológicas, como a função de comer e beber, ou seja, o ato de mastigar, deglutir e, finalmente, nutrir-se.
Prestígio e consideração dos pratos mais volumosos
Não obstante o surgimento destes graves problemas, as Mursi são extremamente orgulhosas dos seus pratos e se comparam numa silenciosa competição em ostentar os discos mais volumosos. É natural que, com o aumento do diâmetro do disco, diminui a possibilidade do cordão labial suportar o peso do prato que passa da posição horizontal para a vertical, balançando para baixo.
Mas até este inconveniente é o preço que se paga para se conquistar um posto elevado na hierarquia tribal, adquirindo-se prestígio e consideração entre os seus pares. Os homens Mursi, além disso, são irresistivelmente atraídos pela desmesurada dimensão de um lábio perfurado e por esse motivo as mulheres praticam todo o tipo de exercício possível para aumentar sua circunferência e atrair assim a atenção masculina.
Exceto as mulheres idosas, dificilmente se surpreende uma Mursi sem o prato labial, pois é considerado um gesto descortês e mal-educado apresentar-se em público com os “lábios vazios”, sobretudo diante de estranhos.
Assim, é surpreendente constatar dois fatos distintos: a capacidade de elasticidade e adaptação do músculo labial e a impressionante realidade que, em pleno século XXI, ainda existe, tomando a forma de hábitos e costumes primitivos.
De fato, na África, ainda persistem grãozinhos de fantasia.

Referências
Profª. Drª. Maria Cristina Ferreira de Camargo – Odontopediatra;
Drª. Adriana Ferreira de Camargo Miori – Odontopediatra;
Dr. Roberto Mariani - Cirurgião Bucomaxilofacial .
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Células-Tronco

Pesquisadores criam dente biológico
em mandíbula com uso de células-tronco
Depois de construírem coroas dentais na cavidade abdominal de ratos, em 2004, pesquisadores da Unifesp, da Tufts University e do Massachusetts General Hospital (USA) venceram mais uma etapa da pesquisa que revela ser possível desenvolver implantes naturais em mandíbulas de ratos.
No estudo atual, que foi a última etapa considerada experimental com células de animais, formaram-se tecidos dentários como dentina, esmalte e polpa, além dos responsáveis pelas estruturas de sustentação do dente, conhecido como ligamento periodontal. Os resultados permitem que uma nova fase da pesquisa de regeneração dentária se inicie, com a utilização de células-tronco adultas humanas.
De acordo com os pesquisadores da Unifesp, Silvio Duailibi, que é professor afiliado e orientador da disciplina de Cirurgia Plástica, e Mônica Duailibi, professora pesquisadora e co-orientadora da mesma disciplina, essa é a primeira prova científica de que a mandíbula possui irrigação sanguínea suficiente para nutrir as células-tronco implantadas e, assim, formar o dente biológico. “Em todos os outros estudos foram utilizados o omentun, membrana extremamente irrigada de vasos sanguíneos e que reveste todas as vísceras de mamíferos”, explica Mônica. “O próximo passo será utilizar células-tronco humanas em animais sem imunidade e estudar como desenvolver a forma e a posição correta para que se obtenha uma erupção tal qual o dente natural”.
Para Lydia Masako Ferreira, chefe do Departamento de Cirurgia e coordenadora do Programa de Pós-graduação da disciplina de Cirurgia Plástica da Unifesp, esse é um projeto de integração internacional de extrema importância para a área da saúde. “Esta parceria mostra a credibilidade do projeto e dos pesquisadores brasileiros envolvidos”, afirma.
Metodologia
Para a construção dos tecidos dentários no rato por meio da técnica de Engenharia Tecidual, os cientistas utilizaram métodos similares empregados previamente. Em ambos os ensaios experimentais, os pesquisadores “semearam” células obtidas de dentes imaturos de animais sobre um arcabouço de polímero biodegradável. Os arcabouços, que anteriormente haviam sido implantados no abdômen dos ratos hospedeiros, foram, agora, implantados na mandíbula.
Em ambas as abordagens experimentais, os cientistas utilizaram células-tronco dentárias “adultas” que permitiram somente o aumento do tecido dentário. Eles não utilizaram células-tronco embrionárias.
O objetivo dos cientistas é desenvolver métodos para a regeneração parcial ou total do dente humano pelo crescimento na mandíbula de um novo dente proveniente de suas próprias células.
Atualmente, os cientistas já verificam a possibilidade do crescimento de um novo dente na mandíbula com tecido dentário humano e os dados parciais desse estudo foram apresentados na reunião da Associação Internacional de Pesquisadores em Odontologia (IADR), em Toronto, Canadá, que aconteceu entre os dias 2 e 5 de julho.
Além dos pesquisadores Monica e Silvio Duailibi, os membros desta equipe incluem Pámela Yelick, professora do Departamento de Patologia Maxilofacial da Escola de Medicina Dental da Tufts University, e Joseph P. Vacanti, diretor de Transplantes Pediátricos e do Laboratório de Engenharia Tecidual e Fabricação de Órgãos do Massachusetts General Hospital, em Boston, EUA.
As pesquisas receberam financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto Nacional de Saúde (NIH), dos EUA.

Referências

Prof. Dr. Silvio Duailibi - Unifesp , pesquisador e orientador da disciplina de Cirurgia Plástica;
Profª. Drª. Mônica Duailibi - Unifesp, pesquisadora e co-orientadora da disciplina de Cirurgia Plástica;
Profª. Drª. Pámela Yelick - Departamento de Patologia Maxilofacial da Escola de Medicina Dental da Tufts University, e Joseph P. Vacanti, diretor de Transplantes Pediátricos e do Laboratório de Engenharia Tecidual e Fabricação de Órgãos do Massachusetts General Hospital, em Boston, EUA.


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sábado, 6 de julho de 2013

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Antibiótico natural retarda crescimento de tumor
Uma substância sintetizada a partir de um tipo de "antibiótico natural" produzido por abelhas brasileiras está obtendo resultados promissores na luta contra o câncer.
Os primeiros experimentos com camundongos mostram uma redução de até 70% na taxa de crescimento de tumores.
"Ainda não dá para dizer que temos uma droga contra o câncer", adverte José Quincoces, pesquisador da Uniban que sintetizou duas versões da substância feita a partir da própolis, HB1 e HB2.
Para fazer os testes com animais, foi estabelecida uma parceria com a Unifesp. "De tudo que já testei in vivo, nada teve resultados tão fortes", diz Miriam Galvonas, coordenadora dos experimentos.
O teste foi conduzido com três grupos de cinco camundongos. Todos eles receberam uma injeção de células tumorais de melanoma. Nos tratados com HB1, houve uma inibição no crescimento do tumor de até 40%. Com a HB2, o resultado chegou a 70%.
A melhor notícia é que quase nenhum efeito tóxico foi observado. No caso da HB1, dois camundongos sofreram uma pequena inflamação. Com a HB2, nenhum deles sofreu danos. Muitos testes ainda precisem ser realizados.
A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) decidiu bancar o pedido de patente internacional para proteger o achado.

Fonte: Folha de São Paulo/ por Salvador Nogueira.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

ACUPUNTURA

Acupuntura
Acupuntura na odontologia. Conhecida e desenvolvida pelos chineses em tempos remotos, tornou-se hoje uma opção a mais de terapia, em que o profissional, além de adquirir novos conhecimentos, encontra um campo aberto a novas pesquisas na área de Saúde.

A acupuntura tem se destacado devido ao grande número de trabalhos científicos publicados recentemente, que muito têm contribuído para a sua compreensão. Um grande número de profissionais já aderiram à prática, em razão da sua eficácia. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cada ano são realizados de 9 a 12 milhões de tratamentos por meio da Acupuntura, segundo estimativa da FDA (Food and Drug Administration).

Por Acupuntura entende-se o conjunto de conhecimentos teórico-empíricos que visa à terapia e à cura das doenças através de aplicação de agulhas e de moxas, além de outras técnicas. Visando estimular a sua prática, a própria OMS, através de seu diretor geral, em 1990, na França, oficializou amplo apoio à Acupuntura. No Brasil, desde 1995, o Conselho Federal de Medicina reconheceu a acupuntura como uma especialidade.

Origem e Desenvolvimento

Acredita-se que a Acupuntura já era conhecida e praticada na Idade da Pedra. Achados arqueológicos em várias partes da China confirmam essa hipótese; junto a outros instrumentos de cura, foram encontradas agulha de pedra, que eram diferentes das de costura. A sua prática desenvolveu-se como um segredo de família, transmitida somente aos membros pertencentes ao clã, até a época do legendário Imperador Amarelo, tendo sido escrito em vinte e quatro volumes o Nei-Ching, o primeiro livro que tratou detalhadamente da Acupuntura. À partir de então, a técnica foi aperfeiçoada, e as agulhas, inicialmente de pedra, hoje são fabricadas com ligas de prata, ouro e aço inoxidável.

No ocidente, as primeiras referências à Acupuntura chegaram através dos missionários jesuítas, sendo que os seus relatos, apesar de serem interessantes, eram vagos. Somente em 1928, pela publicação do relato de Soulié de Morant, de forma completa e acurada, pôde-se dispor de um tratado que, pelo seu conteúdo, serve de referência até os dias de hoje.

Princípios Gerais da Prática da Acupuntura:


Aplicação de agulhas

A Acupuntura consiste, conforme indica a origem da palavra (acus: agulha; punctura: punctura), na inserção, na profundidade de alguns milímetros, de agulhas finas, em pontos da pele especificamente determinados, em diferentes direções, dependendo da localização do ponto e do objetivo a ser alcançado, sendo deixadas por um determinado período de tempo e depois removidas.

Os meridianos

São linhas onde existem pontos distribuídos (pontos de acupuntura), que são associados a órgãos internos, e que se prolongam pelas partes principais do corpo e terminam nas pontas dos dedos das mãos ou dos pés. Na verdade, trata-se de um sistema de canais imateriais, no conceito dos chineses.
De uma maneira bem simplista, pode-se dizer que a prática da Acupuntura, prevenindo ou curando certas doenças, consiste na aplicação de agulhas em pontos (pontos de acupuntura) localizados nos meridianos, visando a tonificação ou sedação dos mesmos.

Para que serve a acupuntura no tratamento odontológico?
É mais utilizada na analgesia dentária ou como complemento da anestesia. Há indicações eficazes, porém menos difundidas, como auxiliar na mobilidade dentária, correção ortodôntica e doença periodontal, bruxismo, ansiedade da cadeira do dentista e outros narrados pela literatura internacional. A acupuntura é útil também para analgesia pós-procedimentos odontológicos, fato comprovado cientificamente por estudos internacionais, à partir de resultado do "NIH Acupuncture Consensus Conference".
A acupuntura substitui os tratamentos tradicionais?Não. O seu papel é auxiliar, complementar ou otimizar o tratamento. Ela não tem nenhuma pretensão de substituir nada.

Aplicações na odontologia:
No pré-atendimento
Pode ser de grande valia a indicação da acupuntura para o paciente ansioso, estressado e com fobia ao tratamento odontológico, assim como para pacientes hipertensos e portadores de doenças sistêmicas, possibilitando um atendimento menos traumático. Nos casos de cirurgia, esse condicionamento prévio pode resultar numa melhor condição de hemostasia e num pós-peratório mais tranqüilo.
Durante o atendimento odontológico
A analgesia tem sido descrita como uma aplicação das mais utilizadas, tanto em procedimentos de Dentística, Endodontia, Periodontia e em Cirurgia, sendo um procedimento menos traumático que a anestesia convencional.

Como tratamento de suporte
A Acupuntura pode ser coadjuvante no tratamento da disfunção da ATM (articulação têmporo-mandibular), do trismo, bruxismo, além de outras sintomatologias mastigatórias miofasciais. É de grande valia a efetividade no controle da dor nesses casos.

No pós-operatório
O controle da dor no período pós-cirúrgico possibilita ao paciente um certo grau de conforto, além de um menor consumo de medicamentos. Pacientes que passaram por radioterapia na região de cabeça e pescoço também podem se beneficiar com o uso da Acupuntura.
Como pode ser observado, existem várias indicações odontológicas para o uso da Acupuntura, que vão sendo aos poucos incorporadas à prática clínica, de acordo com a sua comprovação científica.

Referência: odontologika.
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